Blog de interação e integração artista-público-artista. Opinião, Filosofia, Direito, Comunicação e Arte. Aberto a comentários com o objetivo de colher opiniões e trocar experiências.
Sejam muito bem vindos(as)!
tire o seu piercing do caminho
que eu quero passar com a minha dor 2X
pra elevar minhas idéias não preciso de incenso
eu existo porque penso tenso por isso insisto
são sete as chagas de cristo
são muitos os meus pecados
satanás condecorado na tv tem um programa
nunca mais a velha chama
nunca mais o céu do lado
disneylândia eldorado
vamos nós dançar na lama
bye bye adeus gene kelly
como santo me revele como sinto como passo
carne viva atrás da pele aqui vive-se à mingua
não tenho papas na língua
não trago padres na alma
minha pátria é minha íngua
me conheço como a palma da platéia calorosa
eu vi o calo na rosa eu vi a ferida aberta
eu tenho a palavra certa pra doutor não reclamar
mas a minha mente boquiaberta
precisa mesmo deserta
aprender aprender a soletrar
Refrão
não me diga que me ama
não me queira não me afague
sentimento pegue e pague emoção compre em tablete
mastigue como chiclete jogue fora na sarjeta
compre um lote do futuro cheque para trinta dias
nosso plano de seguro cobre a sua carência
eu perdi o paraíso mas ganhei inteligência
demência felicidade propriedade privada
não se prive não se prove
dont't tell me peace and love
tome logo um engov pra curar sua ressaca
da modernidade essa armadilha
matilha de cães raivosos e assustados
o presente não devolve o troco do passado
sofrimento não é amargura
tristeza não é pecado
- lugar de ser feliz não é supermercado
Refrão
o inferno é escuro não tem água encanada
não tem porta não tem muro
não tem porteiro na entrada
e o céu será divino confortável condomínio
com anjos cantando hosanas nas alturas
onde tudo é nobre e tudo tem nome
onde os cães só latem
pra enxotar a fome
todo mundo quer quer
quer subir na vida
se subir ladeira espere a descida
se na hora "h"o elevador parar
no vigésimo quinto andar der aquele enguiço
- sempre vai haver uma escada de serviço
Refrão
todo mundo sabe tudo todo mundo fala
mas a língua do mudo ninguém quer estudá-la
quem não quer suar camisa não carrega mala
revólver que ninguém usa não dispara bala
casa grande faz fuxico
quem leva fama é a senzala
pra chegar na minha cama
tem que passar pela sala
quem não sabe dá bandeira
quem sabe que sabia cala
liga aí porta-bandeira não é mestre-sala
e não se fala mais nisso mas nisso não se fala
Refrão
Os Bun Hakus, ou traduzindo para o bom português: os buracos da cidade.
Eles começam assim...
Veja como ficam por dentro...
Fotos: Fato Real
Sob os nossos pés existem mais coisas do que supõe nossa vã filosofia e em tantas ruas; na verdade nem tantas assim, mas em todas elas, pequena Vila de Queluz manifesta suas chagas nas quais diariamente solavancam-se as rodas dos automóveis de seus habitantes. Se for verdade que na morte o rico se igual ao pobre, também se refaz esta verdade nos Bun hakus. Não sendo possível evitar os seres dos quais falarei hoje, pelo menos na pequena Vila de Queluz, seria sensato conhecê-los não só na superfície, mas a fundo. Neste ponto é possível que alguém possa estar se perguntando “Será que este frances ficou maluco?” Asseguro que minha tese longe de se fundar na loucura, baseia-se em experiências empíricas de observação e coleta de dados reais. Vejamos! O que qualifica qualquer coisa como um ser? Melhor, o que diferencia os seres das demais coisas. Em primeiro lugar, segundo a ciência é a existência em si de vida. O que seria vida neste contexto a não ser a possibilidade de crescer e se reproduzir. Repito novamente que não estou insano, talvez esteja enganado! Cabe aqui uma conferência dos dados coletados. Os Bun hakus, traduzindo para o bom português, Os Buracos da cidade não crescem e se multiplicam? Ora isso realmente acontece! Será que estou ficando louco? Não cheguei a nenhuma conclusão, pois ainda não me detive na parte mais complicada de minha tese. Pretendo provar aqui que os Buracos da pequena Queluz não só são seres que crescem e se reproduzem (multiplicam, aumentam em número por suas próprias forças), mas também possuem consciência. “Ô francês danado sô...”, diriam num bom mineirês “...doido de pedra!” Será? Explicarei de forma bem simples o que quero dizer... O que se configuraria consciência, senão o fato de estar ciente de sua própria existência? Pois, além de ciente de sua existência eles também sabem que ficarão impunes mesmo causando, vez após vez, danos aos veículos da cidade. Sabem que ninguém fará nada contra eles. Como qualquer ser que se preze, os Buracos ganham mais consistência quando se aprofundam em autoconhecimento. A tendência destes seres é afundar a cidade inteira na busca de entender sua própria essência. Talvez fosse mais fácil buscá-la no semelhante ser que se tornou o ‘Cofre sem fundo’ que insiste em lançar para outras dimensões os recursos a serem usados no controle populacional dos Buracos, que se tornaram uma verdadeira praga. Podemos também pensar que o ‘Guardião do cofre sem fundo’ é um bondoso senhor que esta se esforçando para evitar um genocídio, já que os Buracos são seres conscientes. E que a constante e paliativa ação de ‘tapa buracos’ não resulta em nada além de dar aos Buracos o tempo e a proteção necessários para evoluírem com segurança. Neste caso é como se os responsáveis agissem como mães que cobrem seus filhos para o sono reparador de forças. Por isso se faz necessário aqui um conselho para os habitantes da pequena Vila de Queluz: Supliquem ao Guardião (ouvi dizer que ele gosta de suplicas) que deixe de fazer ‘Jardins rebaixados’ e cuide como deveria dos Buracos antes que a cidade se afunde nos mesmos e os jardins se tornem suspensos. Porém se não der certo sempre haverão noites sóbrias, tochas acesas, machados, foices, Picaretas e uma turba enfurecida para caçar seus monstros.
É realmente intrigante o fato de como a humanidade elege os animais a serem usados e os animais que devem ser preservados. Em um contexto de voraz consumismo e extrema preocupação com questões ambientais me pego pensando em como foi que chegamos, sim, nós humanos, à conclusão de que não é tão cruel se alimentar de galinhas quanto de araras. Tão pouco nos preocupamos com as vacas, sagradas na Índia, o quanto nos preocupamos com as baleias, muito apreciadas no Japão. Não quero aqui fazer juízos de valor entre questões ambientais e de consumo, até porque em meio a tantas vozes é bem provável que a minha se apague, e, neste caso, não valeria o esforço. O fato é que parece que escolhemos os animais a serem consumidos porque são de fácil manejo, ao contrário dos que queremos preservar, e cobramos posições de governos quanto à proibição da caça predatória deste.
Algumas perguntas: existe caça que não seja predatória? A vida de uma galinha deixa de ser vida perto da de uma arara pelo simples fato de que, a galinha, não voa e não é tão vistosa? Se o esforço logístico feito para reproduzir o ditos animais descartáveis fosse redirecionado para as espécies em extinção falariamos todos em extinção? Será que toda refeição merece uma Coca-cola? Será que toda Coca-cola merece uma refeição?
Não, eu não sou adepto e nem seguidor de nenhum grupo, não abraço árvores e coisas parecidas. e nem vegetariano eu sou. Sou apenas um apaixonado por questões melindrosas e suas repercussões. E antes que alguém levante uma bandeira lembre-se de que o cabo da bandeira, geralmente é de madeira, uma solução nada ecológica para tempos de aquecimento global. Lembrem-se que os resíduos das passeatas e atos dos grupos de proteção das espécies escolhidas não se evaporam no ar.
Entendam, são questões nas quais devemos pensar. Foi pensando nessas questões que escrevi este texto provocador e se neste momento meu caro leitor (minha cara leitora) você estiver comendo pense em todo o processo pelo qual este alimento passou para chegar a suas mãos e bom apetite!
O Malescene. (Do italiano Male = Más e scene = cenas.)
Ouve-se falar, já faz algum tempo, de um ‘ser' que habita na cidade de Queluz. Ele tem uma aparência peculiar, pois se locomove rapidamente sobre quatro patas giratórias, tem a pele cor de chumbo e em suas mãos carrega um olho mágico capaz de guardar tudo o que vê. Além disso, segundo o conto este ‘ser’ consegue, com seu chifre de ondas curtas, ouvir conversas a longas distâncias e é capaz de saber de tudo o que acontece num grande território.
Outra fonte revela que aquilo apesar de poder fazer coisas maravilhosas com seus dons, precisa se alimentar da imagem da desgraça humana, sendo assim, tal como uma ave carniceira, ele percorre todos os lugares à procura das cenas de onde absorve sua energia vital.
Uma versão recente conta que a forma de sobrevivência deste monstro é oriunda de uma maldição que retirou sua essência humana e o tomou como o ópio fazendo-o prisioneiro de seu desejo. Por não possuir essência humana esta coisa não almeja o devir tanto que a luz de um carro pegando fogo ou cheiro da decomposição das carnes são fatos que o atraem por instinto como uma mosca.
Diz-se ainda, que a aproximação de tal criatura pode ser sentida pelo sibilar de sua língua que “estica” os últimos sons das palavras terminadas na consoante ‘s’.
Na tradição local aparece tanto em sua forma original quanto na forma de um homem moreno de contornos arredondados e tratos rudes capaz de intimidar quaisquer pessoas que cruzem seu caminho. Alguém que se depara com o Malescene deve permanecer imóvel e dizer sim a qualquer coisa que ele fale, pois é recomendado não contrariá-lo.
Era uma vez, eram duas vezes, eram três vezes... Quantas vezes terei de ver os desmandos de seres dos quais muito entendo, porém nada, ou quase nada, deles aceito. O fato é que na pequena e veloz Villa de Queluz há uma incomoda tradição, dentre as várias incomodas tradições queluzienses, realmente impressionantes. A tradição do “deixa pra depois”. Cultura estranha esta que me lembra uma antiga fábula onde uma formiga trabalhadora é corrompida por uma cigarra que só sabe cantar. Quando o inverno chegar – e não estou falando da música – seremos todos pegos de surpresa pelo óbvio. Alguns talvez se lembrem da persistência da tartaruga frente à rapidez da lebre, estes irão se recordar das lições da infância onde todos aprenderam ser mais válida a persistência do que a rapidez para se atingir um objetivo. Ao contrário do que você, que gentilmente perde seu tempo com minhas idéias tresloucadas, possa estar pensando, eu não vou citar nomes. Acredito que sou claro o suficiente mesmo sem conferir nominação aos bovinos. O fato é que, corrompido pela ruminante música da “cigarra” um ser que se detém somente ao canto, os queluzienses deixaram sua terra parar, como a lebre de Esopo, ao pensarem ser tão ágeis podem ser ultrapassados. Mas, por que toda essa prosa de fábulas? Explico... Pois que sem se movimentar a pequena Queluz pode correr o risco de ver o Arraial de Congonhas do Campo, outra vez, vencer tal corrida enquanto a lebre, que se acha tanto que falta espaço para ser, fica parada. Sem os tão almejados novos postos de trabalho em tempos de crise. Tudo isso devido às “micro capitanias hereditárias” e improdutivas em que se tornaram os terrenos doados do distrito industrial da Villa de Queluz. Enquanto isso a campesina comunidade vizinha avança com o forte vento da iniciativa privada em suas velas. De vento em poupa, oferece subsídios e vantagens a investidores que em nossa pequena Queluz somente encontraram a “Burrocracia” (Burrocracia = burocracia exagerada = governo nas mãos dos burros = falta de vontade política). Como um formigueiro “pequeno”, porém repleto de iniciativa, o Arraial de Congonhas do Campo agiganta-se cada vez mais; com “um nariz” mais próximo de suas ambições. Entre a audácia e a cautela parece que Queluz encontrou a alienação, possivelmente pela comodidade que esta trás consigo em seus modos. É sempre saudável lembrar que o Rei Midas morreu de fome por sua ambição. Afinal nem só de ouro pode o homem sobreviver. Quanto ao Midas deixemos as devidas correlações para posteriori e fixemos nossas faculdades mentais em uma questão. ‘Que luz’ ele via no fim do túnel?